Mauro Filho rebate Elmano: “não sabe nada de previdência”
O deputado federal Mauro Filho (União Brasil) criticou o governador Elmano de Freitas (PT) durante o Café da Oposição, na quarta-feira (24), e afirmou que o petista não entende de economia e questionou os dados do governo sobre a situação fiscal do Ceará
O deputado federal Mauro Benevides Filho (União Brasil) rebateu o governador Elmano de Freitas (PT) na manhã da quarta-feira (24), durante o Café da Oposição, e afirmou que o chefe do Executivo não entende de economia. Segundo o parlamentar, Elmano estaria incomodado com os números apresentados e teria exposto dados “maquiados” para tentar sustentar um cenário positivo.
“Esses números são incontestáveis. Só o governador, que não entende disso, fica dizendo que tem que voltar para o banco da universidade. Ele que tem que voltar para a especialização, porque não sabe nada de previdência”, criticou. “Ele não tem a formação que nós buscamos ter”, acrescentou.
Mauro Filho também afirmou que os dados apresentados pelo governo não explicam o rombo de R$ 11 bilhões no Fundo da Previdência dos servidores até 2030, nem o déficit de R$ 832 milhões já registrado em 2025. Segundo ele, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias aponta ainda uma previsão de saldo negativo de R$ 2,3 bilhões em 2026.
Na terça-feira (23), Elmano havia destacado que o Ceará mantém Capag A, boa liquidez, pagamento em dia dos servidores e aumento dos investimentos.
O deputado, no entanto, disse que o governador não explicou a deterioração das contas públicas. Ele apresentou dados que mostram queda no resultado primário do Estado: superávit de R$ 2,6 bilhões em 2021; R$ 795 milhões em 2022; R$ 451 milhões em 2023; R$ 417 milhões em 2024; e déficit de R$ 832 milhões em 2025, com projeção negativa de R$ 2,3 bilhões em 2026.
Sobre os investimentos, Mauro Filho afirmou que, apesar do aumento nominal, houve redução proporcional em relação à arrecadação. Em 2018, o Estado investia R$ 15,56 a cada R$ 100 arrecadados. Em 2022, o índice caiu para R$ 11,47, e em 2025 para R$ 10,51. “O Ceará perdeu a condição de maior estado investidor do Brasil”, disse.
O parlamentar também citou que, no ano passado, o Estado gastou R$ 1,09 bilhão com juros da dívida e R$ 4,26 bilhões com amortização, totalizando R$ 5,37 bilhões em serviço da dívida — valor superior aos R$ 4,1 bilhões investidos em áreas como saúde, segurança e educação.
Na sequência, ao comentar sobre o pagamento em dia dos servidores, ele minimizou o argumento: “Veja bem... quem colocou o servidor em dia foi Tasso Jereissati, em 1987, e o Ciro Gomes aprofundou. Não é novidade pagar em dia”, disparou o parlamentar.
Mauro Filho também comentou a nota Capag A do Ceará junto ao Tesouro Nacional. Segundo ele, o indicador considera endividamento, poupança corrente e liquidez, mas apontou que parte dos dados usados pelo governo não refletiria o cenário mais recente. Ele afirmou ainda que a liquidez do Estado teria caído cerca de 30%, passando de 9,51% para 6,87%.
Secretário da Fazenda
Para o deputado, o secretário da Fazenda, Fabrizio Gomes, teria sido pressionado a apresentar um resultado fiscal positivo. Segundo ele, o governo teria adotado um conceito alternativo de cálculo, diferente do padrão utilizado pelo Tesouro Nacional.
“Ele foi buscar um conceito que as pessoas nem sabem o que é, despesa corrente. Isso exclui investimentos e por isso o resultado aparece positivo”, explicou.



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